31-05-2012

Eu tenho medos.
Medos que não se acabam

Medos que se julgam importantes
Medos que se tornam ideais

Eu tenho medos
Que não acabam
Que me transformam a cada dia

Que me tornam uma criatura

Fria, gélida, quente, boa e ruim.

São medos que me dão força
São medos que me destroem

Eu tenho medo
Dos meus próprios medos.

  • mmorando

25-03-2014

Não se escuta nada no vazio de uma estação

Além dos barulhos nos trilhos

Além dos ruídos das almas

Almas que vagam sem destino por aí

Clamando por socorro

Implorando por ajuda

Mas a ajuda não vem.

O silêncio nas estações

Assusta seus passageiros

Que temem

A escuridão e o frio que faz

O escuro do túnel

O tique-taque do relógio

A correria do dia a dia

Faz as almas passarem despercebidas

Almas perdidas

Que choram pelos cantos

Que mandam sinais ao maquinista

E ele ignora

Chega o dia

As luzes se apagam

Os freios enguiçam

E o maquinista não se salva

O maquinista morto

Agora também

Faz parte das almas

Cansadas de esperar

  • mmorando

12-09-2013

Acorda, toma uma decisão, levanta, faz a mala, compra a passagem, entra no ônibus e vem.

Dorme, acorda, fica ansioso, fica assustado, olha a chuva cair, lê minha mensagem, responde, pensa em nós e chega.

Me encontra, me abraça, me aperta, me cheira, me ama, me quer, me toma, me rouba, me tem. Sou sua.

Temos pouco tempo, me segura, me pega, me toca, me olha, me ama. Já é tarde.

Dorme, acorda assustado, me olha, é tudo real, respira e volta a dormir.

Levanta cedo, faz o café, leva na cama, me acorda, me beija, me irrita, briga comigo, se arrepende, me pega, vamos para o banho?

Tem que voltar, inseguro, diz que me ama, pega a mala, vai.

estou sozinha novamente

por favor, volta logo.

  • mmorando

– eu preciso de mim

Eu acordei com o bom dia de um outro alguém e em dias, esse foi o primeiro que eu acordei sorrindo e meu primeiro pensamento não foi você ou o que eu sinto.

Na verdade, você não cruzou o meu pensamento nenhuma vez durante esse tempo. Eu finalmente consegui me concentrar e fazer o que eu precisava fazer.

Eu passei o dia conversando com alguém que me fez sorrir milhares de vezes quando eu achava que isso não era mais possível. E eu entendi o porquê você fez o que fez.

Não me entenda mal, eu ainda acho que você foi sem noção. Mas a verdade é que é muito mais fácil ignorar a dor quando outra pessoa está te dando atenção. Te faz sentir desejado, acende um sentimento que aquece o peito e toda a dor e saudade vão embora, te faz sentir como se tivesse um significado. E foi aí que eu parei de falar com ele.

A gente vive tentando encher nossos vazios com pessoas e coisas, colocando nossa autoestima e a responsabilidade das nossas escolhas nas mãos de um outro alguém, quando na verdade só quem pode mudar isso somos nós.

A verdade é que eu não preciso do Pedro, do Gustavo e nem de você. Eu não quero encontrar alguém que vai ser um tapa-buraco agora, não é justo com eles e nem comigo. Eu não vou ficar pedindo atenção, não vou  tentar preencher, não vou virar refém do círculo vicioso da carência. Eu não quero ser você.

Eu entendo que preciso sentir isso, cuidar dos meus ferimentos (que finalmente estão cicatrizando), ficar sozinha e encher os vazios de amor próprio.

Essa história de se redescobrir é um negócio muito louco, mas faz um bem danado. Eu espero que um dia você consiga tentar.

Um abraço

Amanda

– e esse é o meu adeus

Hello,

Duas semanas agora. Sim, eu contei. Por duas semanas eu fiquei me imaginando em um daqueles programas de pegadinha, sonhando acordada com o momento que você ia aparecer com um buquê de rosas e um sorriso daqueles me dizendo “te peguei amor!”.

Eu tive altos e baixos, incontáveis mudanças de humor, soube que você seguiu em frente e conheceu outra pessoa, chorei com cada desconhecido da balada no meu primeiro porre desde que você se foi e finalmente, depois de uma mensagem indiferente, eu entendi que acabou. Ponto final. Fim.

É dificil deixar pra trás alguém que fez parte de tantos momentos, que teve um significado tão grande pra mim. Ainda é dificil acordar e não ter o seu bom dia. Ainda é dificil dormir sem uma ligação sua e um eu te amo. Mas todos os dias eu tenho terminado com você em diferentes lugares. Lugares em que a gente compartilhou tantos momentos, sentimentos e planos pro futuro.

Eu terminei com você no restaurante em que você me levou no dia em que me pediu em namoro, terminei com você na praça da universidade onde nós fizemos planos, terminei com você na nossa sorveteria favorita e no lugar onde nós dissemos “eu te amo” pela primeira vez.

Mas agora, é a minha vez de te deixar. Deixar ir pra que você encontre o que procura. Pra que a gente viva de uma maneira tão intensa e feliz que um dia tenhamos a certeza de que o fim foi o certo.

Eu estou deixando você nesse texto. Deixando (enquanto dói) as nossas memórias. Os “ eu te amo muito tamanho do infinito” de todos os dias, os animais de estimação que não chegamos a ter, as brigas pelos quadros que não compramos, as viagens que planejamos, as cartas que trocamos, as risadas, os momentos, as confidências, os beijos e as promessas de pra sempre.

Eu estou te deixando agora porque eu preciso de mais de mim. Preciso arrumar a bagunça que você deixou aqui dentro, preciso preencher o buraco do meu peito com mais amor próprio. Descobrir coisas que me deixam feliz sem você. Não me entenda mal, eu sei que essas memórias vão ser felizes um dia, mas agora eu preciso que elas dêem espaço pra novas experiências que eu preciso viver por mim, sem você.

Não tem sido fácil lidar com a saudade de segurar sua mão nessa jornada, não vai ser fácil pensar como as coisas seriam se você estivesse aqui. Não vai ser fácil, eu sei. Mas eu tenho recebido ajuda de todos os lados, revi pessoas incríveis, fortifiquei amizades, li livros, cortei o cabelo, comprei roupas novas e fiz uma playlist para essa nova fase.

Eu comecei a entender que tudo que acontece é pra melhorar a nossa vida, eu espero que você melhore a sua também. Quem sabe um dia a gente não ri disso tudo?

Até um dia coisinha.

Amanda

– o que te dá prazer?

Imagine só, uma garotinha com 12 anos de idade, vivendo em São Paulo – sim, caótica cidade de São Paulo – com o sonho de se tornar uma grande escritora, depois de ter lido os incríveis livros da querida J.K. Rowling.

Parece piada ou sonho infantil não é mesmo? E essa ideia fez com que com o tempo eu fosse deixando esse prazer em escrever de lado, pois sempre existiram “coisas mais importantes para fazer.”

Agora tantos anos depois (tenho 20), depois de amadurecer um pouco, ter vivido coisas boas e ruins, acredito que devemos sim fazer o que nos dá prazer, mesmo que não sejamos grandes ou incríveis nisso.

Seguindo essa linha, minhas próximas publicações vão se referir ao passado, algo em torno de 2010 – 2015.

Espero que sejam dias de uma nostalgia boa.

  • mmorando.